Provavelmente o capítulo 15 do Evangelho de Lucas seja um dos mais conhecidos da Bíblia. O texto sagrado apresenta uma parábola com três estórias que ressaltam a dinâmica do amor de Deus. Os fariseus e escribas tinham objeções ao acolhimento que Jesus oferecia aos chamados “publicanos” (judeus que trabalhavam para os romanos) e “pecadores” (judeus que tinham ocupações consideradas incompatíveis com a Lei). Os religiosos no tempo de Jesus se escandalizaram dizendo “… este (Jesus) recebe pecadores e come com eles.” (Lucas 15.2). É sinal de generosidade alimentar uma pessoa necessidade, mas, comer com ela, é sinal de amor. É uma oferta de paz, confiança, fraternidade e perdão; em suma, compartilhar de uma mesa significa compartilhar da vida. Desta forma, as refeições de Jesus com os publicanos e pecadores são expressões da missão e da mensagem de Jesus (Marcos 2.17). A inclusão de pecadores na comunidade da salvação, conseguida com a comunhão à mesa, é a expressão mais significativa da mensagem do amor redentor de Deus. Pensemos na dinâmica deste tão grande amor!
DIMENSÃO DA PERDA (Lucas 15.4) – A “perda” faz parte da dinâmica do amor à medida que se revela o “valor do objeto perdido”. Na verdade, não um valor individualizado. Isto porque, uma ovelha foi perdida, mas, outras noventa e nove estavam no aprisco. O que poderia significar “uma ovelha” para quem tinha “cem”? Todavia, a perda é sentida profundamente. A ovelha perdida é um prejuízo comunitário. A mesma ênfase é dada nas outras duas estórias da parábola. A “dracma perdida” (Lucas 15.8-10), mostra ser um caso sério! Isto porque, Uma moeda daquela, isoladamente, não tinha tanto valor. No entanto, aquela dracma fazia parte de um ornamento feminino, especie de crinalda, composta por dez moedas. Era um sinal de compromisso usado pelas mulheres casadas. A perda seria muito grande! Igualmente a estória do “filho perdiddo” narrada na mesma parábola (Lucas 15.11-32). A perda era irreparável! O filho rebelde estava sendo considerado “morto” mas reviveu, estava “perdido” mas foi achado (Lucas 15.24).
INTERESSE NA BUSCA (Lucas 15.4) – A dinâmica do amor de Deus se revela no fato de que Ele busca o perdido. Na estória da “ovelha perdida” há a idéia clara do esforço infindável do pastor em achá-la. Ao contar tal estória Jesus estava dizendo aos religiosos da época: “o pastor procurou a ovelha perdida, eu procuro os perdidos, e vocês devem fazer o mesmo!”. A posse segura das noventa e nove ovelhas não justifica a indiferença para com uma que se perdeu. O interesse na busca pode ser percebido na expressão “até que a encontra”. O pastor palestino deveria trazer de volta o animal vivo, ou os seus despojos, como prova de que não o vendeu. Entendemos assim o amor de Deus! Ele não desiste de nós.
ALEGRIA NO ENCONTRO (Lucas 15.5) – O pastor se regozija duas vezes: uma vez quando encontra a ovelha, e uma segunda vez na comunidade, de volta à aldeia. Há alegira pessoal e compartilhada. Alegria pela restauração. Nas três estórias apresentadas a alegria é o climax. A busca tem seu preço, mas, o ato de restauração também. Se a perda é prejuízo comunitário, a restauração igualmente o é. A dinâmica do amor de Deus é um convite para que nos alegremos com a conversão de pecadores. Esta “recepção” não só acarreta restauração pessoal como também revitalização à comunidade.
PERGUNTAS PARA EDIFICAÇÃO
1. Apesar de estar cercado por pessoas que adoram a Deus você sente falta de alguém?
2. Você tem se esforçado em buscar a “ovelha perdida”? O que você tem feito?
3. O sucesso e a alegria de alguém tem sido motivo de sua própria alegira?
* O termo “dinâmica” é provindo do grego dynamike, significa forte.






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