“Deus dá como castigo o que o homem busca por prazer”, afirmou o conhecido escritor cristão C. S. Lewis. A Palavra de Deus nos ensina que “… do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios” (Marcos 7.21). O “enganoso coração” pode gerar desejos impuros, pecaminosos (Jeremias 17.9). Eles obstruem nossa compreensão da vontade e dos planos de Deus. O mais preocupante ainda é que, por vezes, esses tais desejos são saciados. Deus pode permitir a realização daquilo que o nosso coração obscurecido deseja, como uma forma de nos corrigir.
Saindo da região ao redor do Monte Sinai, que tinha relativa fertilidade, os israelitas chegaram ao inóspito deserto de Et-Tih, e começaram a “queixar-se de sua sorte”. A murmuração do povo começou a se tornar um hábito contagioso, uma atitude que refletia desconfiança. A expressão “tornaram a chorar” (Números 11.4) indica que choraram de saudades do Egito como se chora a morte de um pessoa amada. Disseram: “Quem nos dará carne a comer? Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos. Agora, porém, seca-se a nossa alma, e nenhuma coisa vemos senão este maná.” (Números 11.5,6). Em resposta às murmurações do povo, “ soprou um vento do SENHOR, e trouxe codornizes do mar… Levantou-se o povo todo aquele dia, e a noite, e o outro dia e recolheu as codornizes;… Estava ainda a carne entre os seus dentes, antes que fosse mastigada, quando se acendeu a ira do SENHOR contra o povo, e o feriu com praga mui grande. (Números 11.31-33). Aquele lugar recebeu o nome de Quibrote-Hataavá que significa “túmulos de cobiça”. A realização dos desejos de um coração obscurecido, pode não ser uma bênção, mas, uma das formas do juízo de Deus. Com certeza, é melhor sepultar alguns desejos do que tê-los realizados.
DESEJOS ORIGINADOS PELO CLAMOR DO “POPULACHO” (Números 11.4). Instigados pelo “populacho”, os não-israelitas que haviam se juntado ao povo no êxodo do Egito (Êxodo 12.38; Levítico 24.10), o povo tornou a chorar. As observações nostálgicas revelam uma memória seletiva, que os fazia lembrar da carne, mas não das misérias do Egito (Números 11.5). Ainda hoje, o povo de Deus sofre influência do “populacho”, despertando desejos arrogantes no coração. “O coração humano é como um abismo, nunca se satisfaz”. O mundo não se contenta com nada! Os desejos nunca são plenamente satisfeitos. O homem é levado a descontentar-se da benevolência de Deus, tentado por sua própria cobiça. Todo desejo torpe e ganancioso que desconsidera a vontade de Deus é “desejo de populacho”, esse é um dos desejos que precisa ser sepultado. A Palavra nos exorta: “Filho meu, se os pecadores querem seduzir-te, não o consintas” (Provérbios 1.10).
DESEJOS QUE SOBREPÕEM ÀS NECESSIDADES (Números 11. 5-6). Os desejos podem não corresponder às necessidades. Conforme o relato bíblico, as necessidades do povo eram supridas. Deus lhes concedia descanso, proteção e sustento (Números 10.33-36). Tudo que é indispensável e imprescindível torna-se necessário. Banalizar as bênçãos de Deus em prol dos desejos é ofensivo. O “maná” já não era suficiente! Os maus anseios do coração fazem desprezar os projetos de Deus e desvalorizar o que de fato é necessário. Tais desejos precisam ser sepultados.
DESEJOS QUE SE CONFUNDEM COM BÊNÇÃOS (Números 11.31-34). “Infelizmente”, Deus ouviu a oração em forma de murmuração daquele povo! Por um vento soprado por Deus, milhares de codornizes foram trazidas do mar e o povo recolheu com fartura a desejada refeição. Esse episódio poderia ser contado como bênção, se não fosse o desfecho (Números 11.33). O Salmo 106 comenta a história narrada dizendo que “o povo se entregou à cobiça e tentaram a Deus. Ele, então, concedeu-lhes o que pediram, mas fez definhar-lhes a alma” (Salmo 106.13-15). Uma petição feita como fruto de um desejo egoísta, em princípio, pode ser interpretada como bênção, mas, ao final, se revelará como juízo de Deus (Números 11.18-20). O salmista, por experiência própria, aprendeu
17 Junho, 2008






Escreva seu comentário